Racismo estrutural: herança, apagamento e exclusão no Brasil

Um ensaio histórico-social sobre memória, exclusão e permanências no Brasil

No Brasil, há uma ampla discussão acerca dos estereótipos raciais, muitos deles naturalizados ao longo da história. Expressões pejorativas, comuns em períodos anteriores, ainda persistem no cotidiano, reforçando ideias de inferioridade associadas à população negra.

Contudo, tais discursos ignoram um dado histórico fundamental: o africano foi o principal motor da economia colonial brasileira.

Os africanos chegaram ao Brasil Colônia sem qualquer possibilidade de escolha, arrancados de suas terras, culturas e identidades, violentamente transformadas e apagadas. Raramente se menciona, entretanto, que essa população não era composta por mão de obra desqualificada.

Ao contrário, muitos africanos possuíam conhecimentos técnicos avançados, dominavam técnicas agrícolas, conheciam o cultivo da terra, trabalhavam como ferreiros, lidavam com metais e detinham saberes relacionados à mineração e ao manuseio de pedras preciosas.

O racismo estrutural pode ser observado de forma evidente nas representações sociais, especialmente nas novelas brasileiras. Dificilmente pessoas negras ocupam papéis de protagonismo, sendo frequentemente associadas a funções subalternas ou à criminalidade.

Esse preconceito também se manifesta nas entrevistas de emprego e nas abordagens policiais, nas quais a cor da pele ainda funciona como critério de suspeição. O estigma do banditismo foi historicamente associado à imagem do negro, negando-lhe o direito à ascensão social e à normalidade.

A herança deixada pela abolição foi o abandono. Com a Lei Áurea, homens e mulheres negros foram dispensados de suas funções e substituídos por imigrantes europeus. Sem acesso à educação, à terra ou à moradia, foram empurrados para a marginalização e o desemprego.

Mesmo após a libertação formal, o negro não foi reconhecido como sujeito de direitos. A prisão que carrega é social e simbólica, sustentada por uma herança histórica de exploração, apagamento e preconceito.

Esse peso permanece até os dias atuais, revelando um Brasil que ainda falha em reconhecer a contribuição, a dignidade e a humanidade de um povo que sofreu intensamente e ajudou a construir a nação.


Autor: Luciano Moreira da Silva
Licenciado em Filosofia, História e Geografia
Pós-graduado em Cultura Afro-brasileira, História do Brasil Contemporâneo,
Metodologias Ativas e Neurociência aplicada à Educação

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