Tancredo Neves e a esperança interrompida: o Brasil na transição democrática
Um ensaio sobre expectativas, crise econômica e luto nacional no fim da ditadura
O Brasil no fim da ditadura
Em 1984, o Brasil passava por uma transição: o término da ditadura e a expectativa de um governo democrático. Nesse contexto, a eleição ainda era indireta, mas, ainda assim, surgia um nome chamado Tancredo Almeida Neves. Um homem que fez a nação sonhar.
Pouco a pouco, uma esperança surgia, e com ela a percepção de uma mudança política e econômica que pairava sobre o povo, que enxergava nesse homem a promessa de dias melhores: crescimento econômico, social e igualdade.
Crise econômica e o desafio do desenvolvimento
Entretanto, o país vivia um período de alta inflação, com preços elevados, endividamento e poucos investimentos estruturais. Além disso, faltava investimento em educação, justamente a base de qualquer crescimento real e duradouro.
Por isso, a saída para um projeto sério de nação seria a estruturação do Estado com investimento em universidades, ciência e formação. Isso lembra o caminho trilhado pelo Imperador Meiji, no Japão, que compreendeu a educação como fundamento e, ao longo do tempo, ajudou a transformar o país em potência tecnológica.
A expectativa de um novo projeto nacional
Dessa forma, imaginava-se um governo capaz de mudar o Brasil. Depositava-se nesse presidente a esperança de crescimento social, de uma nova Constituição, de direitos e deveres: um povo que amava e acreditava nas palavras de um homem que simbolizava a reconstrução democrática do país.
A doença, a morte e o luto coletivo
Contudo, a doença não permitiu que esse projeto se concretizasse. A morte o levou antes da posse, deixando uma nação em prantos, em choro alto, ferida por dentro e vivendo um luto coletivo.
O Brasil assistia à perda de um líder conhecedor das leis e da política, partindo sem escolha e deixando para trás um país inteiro em silêncio.
Um projeto interrompido
Assim, morria a esperança e, apesar de haver vice, a confiança foi abalada. Como teria sido o governo de Tancredo Neves? Essa resposta nunca teremos.
No entanto, o que ficou foi a coragem e a luta de ter liderado uma revolução democrática no país, com a força da negociação, do diálogo e da confiança que transmitia a quem o recebia. Por fim, a certeza não existirá: restou a memória de um projeto interrompido.
