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Geografia • Ensino Médio

Parte 2 — Técnica, redes e desigualdade

A expansão das redes técnicas e informacionais transformou profundamente a organização do espaço geográfico no mundo contemporâneo. Cabos submarinos, satélites, antenas, centros de dados e sistemas de comunicação passaram a estruturar a circulação de informações, mercadorias, capitais e pessoas em escala planetária. No entanto, essa expansão não ocorre de maneira igual em todos os lugares.

Ideia central: a técnica conecta o mundo, mas não conecta todos da mesma forma.

1. A técnica como organizadora do espaço

No mundo atual, a técnica deixou de ser apenas um conjunto de ferramentas e passou a organizar o próprio funcionamento da sociedade. Ela estrutura os transportes, a comunicação, a produção e até as relações pessoais. Dessa forma, o espaço geográfico passa a ser cada vez mais moldado pelas redes técnicas e informacionais.

Entretanto, essas redes não se instalam em todos os territórios com a mesma intensidade. Alguns lugares tornam-se altamente conectados e estratégicos, enquanto outros permanecem marginalizados ou esquecidos.

2. Redes, fluxos e concentração de poder

As redes técnicas permitem a circulação rápida de informações, capitais e mercadorias. No entanto, quem controla essas redes também controla grande parte dos fluxos que organizam o mundo. Assim, o espaço geográfico passa a refletir uma lógica de concentração: certos territórios tornam-se centrais, enquanto outros permanecem periféricos.

Isso significa que a técnica não é neutra. Ela está ligada a interesses econômicos, políticos e estratégicos, e contribui para reforçar relações de poder entre países, regiões e grupos sociais.

3. A desigualdade no espaço mundial

Em escala mundial, é possível observar que regiões como América do Norte, Europa e partes da Ásia concentram grande parte da infraestrutura técnica e informacional, enquanto vastas áreas da África e de partes da América Latina e da Ásia apresentam baixos níveis de integração às redes globais.

Mapa temático mostrando a distribuição desigual do acesso à internet no mundo.
Figura — Desigualdade no acesso à internet no mundo.
Observe que regiões com maior renda e infraestrutura técnica concentram mais usuários,
enquanto grandes áreas da África e partes da Ásia e da América Latina apresentam baixos índices de acesso.
Mapa ilustrativo para fins didáticos. Elaboração: Centro de Ciências Humanas (CCH).

Essa desigualdade também existe dentro dos próprios países. Grandes cidades e regiões economicamente valorizadas costumam concentrar investimentos e tecnologia, enquanto áreas periféricas, rurais ou isoladas enfrentam precariedade e abandono.

4. Exclusão digital e exclusão social

Em um mundo cada vez mais dependente da tecnologia, ficar fora das redes digitais significa também ficar fora de oportunidades de trabalho, de acesso à informação, de serviços públicos e até de participação política.

Assim, a exclusão digital transforma-se em mais uma forma de exclusão social e territorial, aprofundando desigualdades já existentes no espaço geográfico.

5. Técnica: solução ou problema?

A técnica, por si só, não resolve os problemas sociais. Ela pode melhorar a vida das pessoas, mas também pode ampliar as desigualdades se for utilizada apenas para atender aos interesses de poucos.

Por isso, compreender a relação entre técnica, redes e desigualdade é essencial para entender o mundo contemporâneo. O espaço geográfico não é apenas conectado: ele é também disputado, controlado e profundamente desigual.

Síntese: a técnica não elimina as desigualdades do espaço geográfico — muitas vezes, ela as reorganiza e aprofunda.

Habilidades da BNCC (sugestão)

  • EM13CHS102 – Analisar as transformações do espaço geográfico a partir da técnica, da ciência e da informação.
  • EM13CHS104 – Avaliar os impactos das tecnologias nas relações sociais e na organização do território.
  • EM13CHS106 – Interpretar desigualdades socioespaciais em diferentes escalas.

Fontes e referências

  • SANTOS, Milton. A Natureza do Espaço. São Paulo: Edusp.
  • SANTOS, Milton. Por uma outra globalização. Rio de Janeiro: Record.
  • SANTOS, Milton. Técnica, espaço, tempo. São Paulo: Hucitec.
  • CASTELLS, Manuel. A Sociedade em Rede. São Paulo: Paz e Terra.
  • HAESBAERT, Rogério. O Mito da Desterritorialização. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.
  • CORRÊA, Roberto Lobato. Região e Organização Espacial. São Paulo: Ática.
  • IBGE. Atlas Geográfico Escolar.
  • BRASIL. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Ministério da Educação.

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Técnica e território, Redes geográficas, Desigualdade socioespacial, Globalização, Geografia, Ensino Médio, Milton Santos, Espaço geográfico, Exclusão digital

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